ENTRE ESPUMAS

    O clarão da lua cheia beija as marés, e o frio da lua mistura-se ao frio  da brisa, que lentamente invade a praia. As espumas trazidas pelas ondas, de mansinho tocam meu corpo, e me deixa sensível. A lembrança de você, me deixa de certa forma sufocado, o cheiro da brisa me recorda  seu cabelo molhado, o barulho de pequenas ondas, parece sua voz falando baixinho ao meu ouvido, não consigo mais disfarçar o quanto estou perdido, a sua profecia se cumpriu, e aqui estou, sozinho, mergulhado em lembranças e saudades, e você aonde estará agora, essa pergunta sem resposta me deixa triste.

    Distante vejo um farol com uma lanterna gigante, girando sem parar, parece até que também procura alguém, e eu penso, sorte a dele, sozinho e nunca vai sentir saudade, e segundos depois imagino que ele também é infeliz, sofrendo com os açoites do vento, o frio das noites e a areia das dunas que batem sem parar.

    Um casal de gaivotas param e ficam olhando para mim, como se comentassem: Ele está perdido.

    Por algum momento, ouvi uma sereia cantar, meus olhos vagueiam  a procurar, e o que vi foi bem distante, um jangadeiro em sua pequena jangada, caí na realidade, as vezes temos alguém tão perto, e procuramos olhar  tão distante, e só vemos miragem.

    Mais uma noite, isolado do mundo, envolto em em plena tristeza, e a certeza de que não será nessa noite que eu vou lhe encontrar.

    Vou para casa, e ao olhar pela minha janela, parece que a lua me seguiu,mas ela não está só, uma estrela de luz azulada lhe faz companhia, sorte dela, pensei.

    Sento-me na cama e ligo o rádio, que começa a tocar caminito, um belo tango, a letra parece descrever meu momento, levanto-me, e ensaio alguns passos, estou dançando com a própria solidão, não posso continuar, paro e começo a rir, rir do meu momento de loucura, pego um copo com cerveja e bebo alguns goles, e entre lágrimas e espumas adormeço.

 

    Ass.  Maninho.

Artigo Original