As meninas conversavam entre si, curiosas, e querendo saber porque Malin se interessava tanto em pesquisar os humanos, será que ele pesquisa para conhecimento ou espionagem, mas uma delas questiona, ele não pesquisa só a terra, ele é um viajante do tempo e observa toda a galáxia. Vou perguntar porque ele não pesquisa a natureza, se voltar aqui, vai me responder algumas perguntas.
Um celular vibra, e ao pegar para ler a mensagem, eis que na tela surge a figura esquisita de Malin. Em baixo da foto uma mensagem, queria contar uma história a vocês, conte, depois conversaremos, vamos lhe fazer algumas perguntas, disse uma das meninas, Malin não ficou surpreso, parecia até que estava ouvindo a conversa delas sobre ele.
Malin disse, ontem a noite a lua estava muito clara, lembrei muito de Órion, e resolvi ir até um grande rio para ver as estrelas refletidas na água. Ao chegar, vi um pescador lançando sua tarrafa e fiquei observando o que ele pescaria, ele lançou a tarrafa por umas quatro vezes, e depois com um olhar triste, recolheu a tarrafa, e colocou alguns peixes em uma sacola, e sentou-se sobre uma pedra.
Falou baixo, mas ouvi ele dizer que o rio estava morrendo. Me transportei para uma distância de uns vinte metros para não assusta-lo, em em forma humana fui me aproximando. Foi ele quem fez uma saudação de boa noite, e perguntou se eu iria pescar, não, estou de passagem, vim pela orla para ver as estrelas refletidas na água, e o homem disse: moço esse tipo de beleza acabou, além do rio ter pouca água, não é tão limpa como antes.
Eu fico pensando que a pedra teve muita sorte. Que pedra? A pedra que falava com o rio, e pedra fala? O homem sorriu e disse: Tudo que existe se comunica meu amigo. Por gentileza poderia contar essa história? Sim, mas procure entender. O pescador contou que havia uma grande pedra dentro do rio, e quando o rio enchia banhava ela, e as águas iam baixando e a pedra pedia ao rio para ir com as águas, o rio respondia você vai sentir saudades do pescador que as vezes repousa sobre você, fique aqui, até os pássaros se acostumaram com a sua presença. A pedra insistia, porque que só as pedras pequenas podem mudar de lugar, seguem as correntezas livremente e eu sempre no mesmo lugar, não é justo, e o rio justificava da importância dela para ele e para o pescador, mas a pedra queria a companhar a correnteza, um um dia o rio encheu demais, e as águas subiram, cobriram a pedra, e o rio atendeu o pedido que ela tanto queria, quando as águas baixaram a pedra tinha ido embora, eu lembro com saudade, mas talvez tenha sido melhor assim, porque em poucos anos esse rio vai secar e nem as pedrinhas vão sair do lugar, serão cobertas pela areia do tempo, que vão e voltam quando querem.
As vezes penso em ir embora também, mas vou sentir muita falta dessa liberdade, sabe moço, o contato com a natureza nos deixa mais humano, o vento assanhando o cabelo, tocando nosso corpo, brincando com as folhas, as vezes elas caem na água, e vão descendo rio abaixo, parece pequenas jangadas, sem destino, mas parecem felizes pela nova experiência que estão vivendo, algumas encalham em pequenos bancos de areia, enquanto as outras conseguem ir mais longe, parece até a gente, as vezes fazemos planos e não conseguimos chegar ao nosso destino, lutamos mas por algum motivo não conseguimos, parecemos barcos atracados no cais , balançados pela água, mas presos ao ancoradouro.
Uma certeza eu tenho, que por mais difícil que pareça, não é impossível, e penso, se a que enorme pedra, de pois te tantos anos conseguiu, então é porque tudo tem seu tempo. Eu vou esperar mais um pouquinho, talvez esse rio nem morra, talvez esteja próximo de um bom tempo,nós apenas imaginamos, mas não determinamos o futuro, sabemos que por um futuro melhor, temos que dar o melhor de nós, a pedra e o rio estão separados, os dois perderam, mas os dois tentaram, a pedra conseguiu o pedia, e o rio conseguiu libera-la, depois disso eu penso que se a gente continuar pedindo que as coisas boas aconteçam, um dia vai acontecer.
Ele perguntou meu nome, e eu disse é Malin, o pescador comentou, você é muito frio, parece que nem sente emoções, não sabe como é difícil ver esse rio assim, quase morto, você entendeu? Sim, mas o Sr. mesmo falou que se agente continuasse pedindo, um dia iria conseguir que o nosso pedido fosse atendido.
Eu também vou começar a pedir, a raça humana merece dias melhores, se demorar vai ser doloroso, mas mesmo que demore, um dia vai acontecer, entendi que não podemos desistir, e podemos planejar nossa vida, mas o futuro não será possível, existe uma energia que cuide disso.
Quanto as perguntas que iriam fazer, pensem primeiro na história da pedra e o rio, depois conversaremos.
Ass. Maninho.