Talvez nem o grande Poseidon conheça todos os encantos do mar. Um mar de cidades submersas, de navios fantasmas, de seres desconhecidos, e de uma fantástica diversidade de vidas. Tão grande a sua imensidão são os seus segredos. Nas profundezas de suas águas, e nas espumas que banham a areia, existem murmúrios e lágrimas da história da humanidade.
Somente ele é capaz de absorver o sofrimento dos infelizes que viajavam nos porões dos navios negreiros, lamentando seus infortúnios, famintos e sedentos de justiça, mesmo que tenham perdido a liberdade, encontravam forças para batucarem e cultuarem, regidos apenas pelas suas crendices e o balanço das ondas.
Oceano das divindades que recebem oferendas, e ofertam o incomparável perfume das águas salgadas, uma possível mistura de lágrimas, suor e e flores, que a milhares anos são jogadas ao mar em forma de agradecimento. Sem esquecer também do piratas e suas festas, ou para comemorar as vitórias ou para esquecer as derrotas, mas alheios a tudo isso, bebiam, cantavam e dançavam, e saudavam e agradeciam aos deuses, deixando em cada vela içada, uma lembrança, uma história, ou um segredo.
Um mar de ondas grandes e pequenas, de amores passageiros e eternos, de segredos e encantos, de jangadas e sereias, das gaivotas noturnas, das borboletas gigantes, do colorido dos corais, de sua beleza e magia, berço dos deuses e divindades, do som acústico das marés nos rochedos, dos fantasmas do tempo de quem viveu e morreu no mar.
O enigma de suas profundezas, das cores de suas águas, da vida marinha e de de uma energia tão positiva, é difícil ver alguém sair do mar sem alegria, parece até que mergulhamos no poço dos desejos, uns tomam banho para renovar as energias, outros entram e pedem felicidade, alguns reverenciam alguém invisível, mas existente, ninguém conhece seus segredos, sabe-se apenas que sabemos pouco sobre ele, mas sabemos que a humanidade depende dele, não apenas do que recebemos de forma material, mas principalmente de seus recursos espirituais.
Não necessariamente que possamos depender de suas energias, mas não podemos desconhecer que elas existem, é importante saber que cada energia tem um efeito, dependendo principalmente do nosso grau de absorve-la e utiliza-la.
Quando nos referimos a um mar de felicidade, um mar de amor, não estamos nos referindo a quantidade de água, nos referimos a sua importância e grandeza e influência para as nossas origens.
Ass. Maninho.