Um dia um homem de idade avançada sentiu a necessidade de voltar a trabalhar, o dinheiro que recebia de seu benefício, boa parte do mesmo gastava com remédios, e resolveu sair a procura de um trabalho. Depois de procurar bastante, encontrou uma carpintaria com um letreiro escrito: temos trabalho. Ele parou e pensou, eu nunca trabalhei em carpintaria mas preciso desse trabalho.
Ao chegar, encontrou um homem fazendo uma cruz. Ele deu bom dia e disse, procuro trabalho. E esperando uma resposta negativa devido sua idade avançada, foi surpreendido com votos de boas vindas. O carpinteiro parou por alguns instantes e disse: sente-se, logo conversaremos sobre o que tem de fazer, e o homem feliz perguntou, vai me aceitar? Sim, você é a pessoa certa.
O carpinteiro deu os últimos retoques na cruz e disse, por gentileza se aproxime, e o homem apreensivo aproximou-se. O carpinteiro falou, seu trabalho será levar essa cruz até a primeira árvore que tem no fim dessa estrada, lá tem alguém para recebe-la e pagar pelo seu serviço.
O homem olhou a cruz e comentou; É grande, parecer ser pesada, será que vou conseguir leva-la? E o outro respondeu, pediu para trabalhar, tente ou desista, tenho que fazer outra.
Aproximando-se da cruz procurou um jeito de coloca-la no ombro, e quando conseguiu iniciou a caminhada, e andando levemente disse: é muito maneira, não terei problemas.
E na proporção em que andava a cruz ia ficando mais pesada, os passadas estavam menores, o cansaço ia aumentando e já andava com muita dificuldade. Olhou para traz e viu o vulto de uma pessoa, imaginou, talvez seja o carpinteiro esperando que eu desista, para ele não me pagar, e mesmo com dificuldade continuou andando.
Em pouco tempo um rapaz passou por ele, levava um livro, e o homem perguntou, você vai em qual direção? O rapaz respondeu: eu trabalho para o carpinteiro, vou levar esse livro até a árvore e receber meu pagamento. O homem comentou, tem injustiça em todo lugar, eu com essa idade carregando uma cruz e você tão novo carregando um livro. O rapaz disse, o carpinteiro sabe o que faz, não adianta reclamar.
O homem propôs fazer uma troca, leve a cruz que eu levo o livro, o carpinteiro não vai ficar sabendo, já estamos bem distante. O rapaz respondeu, não é certo trair a confiança dos outros, mesmo que ele não veja, nós sabemos o que fizemos. ´É, mas o mundo é assim mesmo, lhe peço para fazer a troca, já não suporto essa cruz, está muito pesada.
E o rapaz perguntou, tem certeza que quer trocar? lógico, então tá, eu carrego a cruz e o Sr.carrega o livro, e assim fizeram.
O rapaz saiu levando a cruz e o homem ficou rindo da ingenuidade do mesmo, e quando pegou o livro, quase caiu, de tão pesado que era, segurando firme tentou levanta-lo, não conseguiu. Olhou em volta e viu uma corrente no chão, ele pensou rápido, agora é fácil, e laçou o livro com a corrente e tentou arrasta-lo, não conseguiu, só lhe restou uma alternativa, abandonou o livro e foi atras do rapaz para tentar desfazer a troca. E quando o alcançou pediu que ele devolvesse a cruz e pegasse o livro de volta, o rapaz questionou, como assim, eu já estou avistando a árvore, é mas eu julguei que o livro era melhor para mim mas não posso com ele.
O rapaz olhou o homem fixamente e disse,tudo bem, mas terás de devolver a cruz ao carpinteiro porque não cumpriu o seu acordo, o homem reconheceu o erro e concordou. Ao chegarem no local que tinha ficado o livro, o homem perguntou porque aquele livro pesava tanto, e o rapaz respondeu, é o título dele, e pegando um pouco de areia derramou sobre o livro, o título ficou visível, JULGAMENTOS QUE FIZ.
O homem pensou, por isso pesava tanto, e julguei errado de novo pensando que ia levar a melhor, pegou a cruz e retornou para a carpintaria, e quanto mais se aproximava da carpintaria a cruz ia ficando mais leve, e uma sensação de resistência ia se apoderando dele.
A felicidade era tanta que já nem sentia mais que carregava a cruz. Ao chegar, e já ansioso para se desculpar e agradecer, não encontrou o carpinteiro, só tinha um lugar na parede para deixar a cruz guardada, ele retornou para casa com a certeza de que aquele foi o maior pagamento que recebeu em toda sua vida.
Ass. Maninho.