Meia noite e a rua está sombria, caía uma chuva forte e deixou o asfalto iluminado com os reflexos das luzes. Um ébrio solitário entoa uma canção antiga que misturas-se ao som das goteiras e e os pingos de água que caem das das folhas. a canção parece combinar com a melancolia da rua.
De passos lentos ele se aproxima e agora torna-se visível, de traje simples e molhado pela chuva e em seu rosto apresenta uma mistura de água e lágrimas, difícil saber por quanto tempo acumuladas, mas sem dúvidas retrata um amor perdido. Cambaleia e indiferente a sua infelicidade do momento tenta esconder a sua tristeza.
Canta e sem se preocupar com o ritmo da melodia vai avançando pela rua de iluminação tênue. Ainda bem que a música tem a mágica para diminuir o nosso sofrimento, cantando conseguimos de alguma forma amenizar a dor de nossas desesperanças, ou ou fechar as cicatrizes feitas com o tempo.
Somos ébrios que cantamos e conversamos com o nosso sentimento, e quantas vezes sorrimos quando na realidade estamos mergulhados em lágrimas, e só não as deixamos fluir pelo medo de parecermos fracos.
O homem que passou cantando e conversando com a solidão da rua, manda uma mensagem simples de que a vida é feita de momentos, e sorrir ou chorar é uma herança que todos ganham, e até mesmo a noite se envolve em seus momentos de amor, ternura e tristeza.
Ass. Maninho.